Mulheres e os Media

Um século de luta
contra o machismo

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Entrevista Rita Ferro Rodrigues

Macho Media é a nova exposição temporária do NewsMuseum que conta com a curadoria da associação feminista Capazes. Damos a conhecer os principais marcos da luta da emancipação feminina de uma forma interativa e inovadora. Entrevistámos Rita Ferro Rodrigues, uma das coordenadoras da associação. Descubra tudo aqui.

Como surgiu a parceria entre a Capazes e o NewsMuseum para conceber esta exposição?

Foi um convite do NewsMuseum. O NewsMuseum como espelho dos media e as Capazes como carimbo da luta pela igualdade de género, apresentam a mesma questão: As mulheres são invisíveis nos media. O nosso objetivo, além de mostrar e enfatizar esta luta, é mostrar como as mulheres se emanciparam e conquistaram a visibilidade mediática. As Capazes compõem um projeto coeso que promove a informação e a sensibilização da sociedade civil para a igualdade de género e defesa dos direitos das mulheres, por isso não havia como não aceitar esta parceria.

O que os visitantes poderão encontrar nesta mostra, que apresenta uma acentuada vertente de sensibilização?

Os conteúdos Macho Media seguem a linha do NewsMuseum, como tal são apresentados em plataformas multimédia interativas. Os visitantes são convidados a “emergir” nas ideias que lhes são apresentadas, que contam com a nossa curadoria e desenvolvem-se a partir de momentos e marcos que simbolizam a luta pela emancipação feminina.

Que marcos são esses?

Os momentos de afirmação do corpo, de emancipação social, educacional e laboral são temas que se cruzam nesta viagem cronológica.

Que episódio mediático da história da luta feminina pela emancipação e reconhecimento dos seus direitos fundamentais destacaria?

Escolher só um é difícil. São todos importantes em diferentes áreas da vida pública. Destaco, por exemplo, a luta que existiu e ainda perdura pelo direito ao voto, salientado, em Portugal, o papel da Carolina Beatriz Ângelo. É um direito fundamental e que serve de base para os restantes.

Estamos num tempo em que (e ainda bem) a violência de género e as discriminações já não passam ao lado das pessoas”. Até que ponto é que a comunidade está efetivamente alerta para estas questões sociais?

A responsabilidade de exercício da cidadania e, neste caso, da cidadania feminista é um exercício que todos devemos fazer. A luta das mulheres pela afirmação dos seus direitos e pela igualdade de género está na ordem do dia devido aos vários episódios a que temos assistido nos Media. É inevitável que não contactemos de alguma forma com este vórtice de informação.

Que conselho daria à sociedade neste sentido?

Precisamos de estar não só em alerta, mas também informados e capazes de descodificar toda a informação que nos chega sobre esta temática para que depois consigamos agir.

“Afinal, quão machistas ainda somos?”

A exposição explica quão machista é cada um de nós, numa espécie de teste psicológico. Ainda há muito a fazer, apesar de estarmos a caminhar na direção certa.

Na sua opinião, que tipo de medidas são mais urgentes para inverter os números da desigualdade de género e da discriminação das mulheres, também em termos de remuneração salarial, em Portugal?

Li que Portugal é o país da UE onde a desigualdade salarial entre homens e mulheres mais aumentou com a crise. Está tudo dito! É preciso tomar medidas a curto, médio e longo prazo. As mulheres acumulam pela sua natureza vários papeis constantes e permanentes no seu quotidiano. Ser mulher e mãe não pode ser sinónimo de incapacidade laboral. O mercado de trabalho e as orgânicas empresariais e institucionais têm de ser adaptadas às necessidades vigentes.

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